Eleições 2006 - Comentários pós 2º TURNO e Questões à respeito de um povo sem memória

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Dom Braz
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Re: ...E MACUNAÍMA VAI ÀS URNAS...

#181 Mensagem por Dom Braz » 30 Out 2006, 10:43

Eu sou fanzão do Primo Preto porque ele posta muitas das coisas que eu penso mas não tenho capacidade de escrever. Troféu joinha pra ti Primo Preto ::ok::

Achei engraçado logo após a vitória o Lula falando sobre o Mercosul, disse que Argentina e Brasil tem obrigação de ajudar os países menores como a Bolívia. Eu penso que uma vez inserido dentro de um grupo o Brasil é obrigado a brigar por acordos que favoreçam não só ele mas que seja benéfico a todos do bloco. Mas num país continental como o nosso, com tantas coisas por fazer, com tantos miseráveis, com tanta falta de estrutura, com tanto desemprego e atraso conceder regalias a outros países me parece uma postura chavista. O Lula deve ser o maior "paga-pau" do Hugo Chávez. Acho que o desejo secreto do Lula é chamar o Bush de "diabo"!

Quando fez aquelas visitas ao continente africano Lula falou as mesmas asneiras dizendo que o Brasil tem dívida histórica com a África. Oras que imbecilidade! Nossa terra e nossos habitantes originais, os índios e mesmo depois os mestiços não sofreram tanto nas mãos dos portugueses e espanhóis quanto os africanos de toda costa do Atlântico? Somos vítimas tb porra, não devemos nada!

Espero mesmo que o PT consiga melhorar o Brasil e que nas próximas eleições as pessoas não votem mais pela manutenção de nehuma "bolsa familiar", prato de comida ou por uma "merreca" qualquer. :cry:

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_Cabron_
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#182 Mensagem por _Cabron_ » 30 Out 2006, 10:47

Lula ontem em resposta a uma pergunta ao jornalista argentino:

- Temos que ampliar as negociações do Mercosul, da Terra do Fogo à Patagônia ...





sem mais para o momento
Cão_

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Nosferato
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#183 Mensagem por Nosferato » 30 Out 2006, 23:31

A eleição acabou e como eu vinha participando do tópico, vou tecer minhas derradeiras considerações sobre o tema, embora sabendo que serei chato, desagradável e pessimista...


Há muitos mitos que rodeiam a política, bem como a escolha de candidatos. Nenhum candidato consegue representar a população como um todo, algo que se explica pela estratificação social, que, por conseguinte, redunda em interesses discrepantes. Deixo alguns exemplos, ressaltando que minha intenção não é defender ou criticar os projetos que lançarei mão como exemplos, mas sim evidenciar a supracitada divergência de interesses na sociedade. Posto isso, cito alguns casos: quando a prefeita Marta construiu os polêmicos CEUS, conversei com pessoas que teciam loas ao projeto, afirmando que “seus filhos tinham um acesso à cultura muito maior, que envolvia teatro, cinema, palestras, debates etc”. Por outro lado, ouvi de pessoas que o projeto era injusto, pois tinham que desembolsar “quase mil reais de mensalidade para seus filhos terem uma educação de qualidade, não sendo justo que a periferia tivesse acesso gratuito a um estudo diferenciado”. Coloquei o texto entre aspas, pois é praticamente uma descrição literal. É claro que não podemos generalizar, pois, no presente caso, tanto havia uma parte da periferia que criticava o projeto, quanto uma parte da classe média/média alta que o apoiava, mas os exemplos que citei retratam o pensamento da maioria dentro das respectivas classes sociais. Outros casos: Corredores de ônibus são elogiados por muitos que se utilizam do transporte coletivo e, simultaneamente, execrados por motoristas particulares. Os que não necessitam do chamado “assistencialismo do governo”, por terem a geladeira cheia de guloseimas, condenam como populismo os “auxílios sobrevivência”, que os governos criam. Já os que, com o estômago roncando, recebem ou desejam receber os óbolos do Estado, logicamente, aprovarão o projeto. E quanto aos bilhões sacados do BNDS no governo Lula, emprestados aos empresários mediante juros irrisórios, ou ainda as tantas isenções de impostos, perdões disso ou daquilo etc? São aprovadíssimos, principalmente, pelos que no final da história ficam “dedilhando a bufunfa” ao verem seus lucros triplicarem, alguns indivíduos mais matreiros ainda inventam alguma ideologia para “explicar” o processo, aproveitando para ganhar mais “algum” com a venda de livros imbecis. E quanto aos latifúndios oriundos da grilagem (terras pertencentes ao Estado, tomadas e cercadas por indivíduos poderosos, que falsificam os documentos, fechando-os nas gavetas com grilos até o documento envelhecer artificialmente) são aprováveis? Do ponto de vista dos beneficiados e da imprensa amiga dos beneficiados são aprovadíssimos, é claro, mas não custa nada lançar mão da ideologia de que estão plantando, produzindo em prol da nação (e de seus cofres também). E o mito de que “qualquer crescimento do PIB é maravilhoso para todos”, será verdadeiro? Na era militar pós-64, período do milagre econômico, tivemos um crescimento alucinante, porém, os governos da época promoveram uma enorme concentração de renda, que, teoricamente, deveria se transformar em investimento nas mãos da burguesia, que por sua vez optou pelos gastos suntuários em detrimento dos incrementos de capital. À época, salários foram achatados com a finalidade de incentivar as transnacionais a investir no Brasil e exportar, obtendo-se, por conseguinte, divisas, mas tais empresas subfaturavam ao vender às matrizes, superfaturando nas compras realizadas pelas filiais, ocorrendo, na prática, uma enorme evasão de divisas. Como se vê, nem todos ganharam com tal processo, mas quem realmente ganhou dirá que foi bom. E quanto às cotas para negros? Converso tanto com defensores, que lembram do fato de que o negro não teve, logo após a abolição, a oportunidade de ingressar no mercado de trabalho capitalista, bem como não houve reforma agrária que os beneficiassem, situação que se reflete até hoje em seu prejuízo. Outros, já afirmam ser injusto, pois o que importa é o presente, e todos são iguais perante a lei etc.
Todas as questões que descrevi são polêmicas, minha intenção não é discutir nenhuma delas aqui, mas sim demonstrar que, no geral, não são tão somente os que votaram no Lula os estúpidos da história, pois somos um povo culturalmente atrasado, preconceituoso e mesquinho. Esse mesmo povo eleitor do Lula, que hoje é tachado de burro pelos eleitores tucanos, será que era inteligente quando elegeu o FHC por duas vezes? Se eleger o Aécio nas próximas eleições, terá se tornado inteligente, novamente?
Reconhecer-se como egoísta é uma tarefa difícil, pois ao invés de afirmar que algo é bom para mim, generalizo e digo que é bom para todos, que estou pensando no coletivo, quando na verdade estou enganando tanto a mim (não necessariamente), quanto a todos, criando até uma tese de doutorado para justificar minhas loucuras, se caso meu espírito ou meus interesses acharem necessários, sem que eu seja melhor que o ladrãozinho do farol, pois, por motivos que tangem a construção histórica e moral do nosso povo, tornamo-nos subservientes e hipócritas, todos, com sua devida parcela de responsabilidade, sejam “lulistas”, “alckmistas”, “nulistas”, ou quaisquer outros “istas”. Eu? sou apenas mais um filho-da-puta, que, após, mal e porcamente, expressar minhas amarguras nessas palavras, irá até a geladeira, pegará uma cerveja e acenderá um cigarro...

É isso aí, valeu pelo debate, pessoal...

Abraços!

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Carnage
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#184 Mensagem por Carnage » 31 Out 2006, 09:47

Passada a eleição, CPI pode ser esvaziada

Governo e PSDB querem evitar investigação de ex-ministros de FHC e Lula
Expedito Filho

BRASÍLIA - Passado o calor das eleições, governistas e tucanos pretendem esfriar o entusiasmo da CPI dos Sanguessugas para evitar que ex-ministros da Saúde dos governos FHC e Lula sejam investigados no escândalo das ambulâncias superfaturadas. Integrantes da CPI avaliam que o desinteresse dos dois partidos poderá levar a comissão a um final melancólico.
A CPI se notabilizou ao continuar em funcionamento, mesmo em um momento de eleições gerais em todo o País. Nem o fato de o Congresso Nacional passar por um recesso branco foi motivo para esvaziá-la. A comissão denunciou 69 deputados e 3 senadores, que teriam participado de um esquema de cobrança de propinas para aprovar no orçamento emendas de compra de ambulâncias superfaturadas, que beneficiariam a Planam, do empresário Luiz Antônio Vedoin.
A etapa mais nervosa das investigações, que implica desvendar de que forma ministros dos governos Lula e FHC participaram do esquema, foi agendada para o período pós-eleitoral. Foram convidados para depor na comissão os ex- ministros Saraiva Felipe e Humberto Costa, da gestão petista, e Barjas Negri e José Serra, da administração tucana. “Eu só vou se o Lula for”, avisou Serra, segundo disse um deputado.
Ao recusar o convite para depor, por ser facultativo, Serra corre o risco de ser convocado, o que torna o depoimento obrigatório. Para isso, o governo pode articular sua tropa de choque e aprovar a ida compulsória do tucano. Embora não exista nada até agora contra Serra, o governo usaria a estratégia para colocar os tucanos na defensiva. Para driblar o confronto, restaria a alternativa de um acordo que evitasse constrangimento para os dois partidos. “A única saída seria um acordo com o governo”, previu o deputado Raul Jungmann (PPS-PE).
Para manter a CPI viva, a única alternativa dos deputados é mobilizar a opinião pública contra qualquer tentativa de um acordo para abafar a CPI. “Vamos voltar à condição de guerrilheiro e denunciar os acordões”, prometeu Jungmann
Editado pela última vez por Carnage em 31 Out 2006, 09:52, em um total de 1 vez.

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Carnage
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#185 Mensagem por Carnage » 31 Out 2006, 09:51

Afinal, porque Geraldo Alckimin, a princípio um político sem grandes rejeições, perdeu as eleições?
Veja a análise de Luiz Nassif, economista e consultor da CBN (do Grupo Estado) e colunista da Folha de São Paulo
.

26 DE OUTUBRO DE 2006 - 15h00


Grande imprensa cometeu suicídio nestas eleições, diz Nassif.
Por André Cintra e Priscila Lobregatte

Ao adotar um pensamento único, elitista e anti-Lula, a mídia entrou numa rota suicida. Esse estilo, ''inédito em termos de grande imprensa'', criou ''um clima muito pesado de patrulhamento, ataques, macarthismo''. O diagnóstico é de Luis Nassif, jornalista há mais de três décadas e ex-membro do conselho editorial da Folha de S.Paulo.

Nassif se tornou uma das vozes mais avessas aos descalabros que tomaram conta do jornalismo. Em sua opinião, a mídia sequer se esforçou para entender um fenômeno como o Bolsa Família - e sai dessa eleição desiludida com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na entrevista que concedeu à série ''Mídia x Mídia'', o jornalista mineiro atacou o presidenciável tucano Geraldo Alckmin. ''A gestão dele em São Paulo, do ponto de vista administrativo, foi absolutamente medíocre e nunca foi avaliada''. De acordo com Nassif, ''Alckmin não tem discernimento'' e sofre de ''incompetência gerencial''.

As declarações de Nassif foram tomadas nesta quarta-feira (25/10), num escritório da Avenida Paulista, em São Paulo, onde o jornalista coordena a Agência Dinheiro Vivo. Confira os principais trechos dessa entrevista exclusiva.

Por que essa onda anti-Lula e anti-PT ficou cada vez mais forte na grande mídia?
No começo do ano passado, alguns colunistas - não oriundos da imprensa propriamente dita -, intelectuais e pessoas do showbiz, basicamente o (Arnaldo) Jabor e o Jô (Soares), começaram uma crítica mais pesada ao Lula e ao PT. Essa crítica, num determinado momento, resvalou para uma posição de intolerância e teve eco na classe média.
Quando teve eco, aconteceu algo que, para mim, é o mais inacreditável que eu já vi em mais de 30 anos de jornalismo: a Veja entra na parada e começa a usar aquele estilo escabroso. É inédito em termos de grande imprensa - e é um suicídio editorial. Agora, aquele estilo acabou batendo aqui, em São Paulo, em alguns círculos do Rio de Janeiro, induzindo a mídia a apostar na queda do Lula. Quando não conseguiu derrubar Lula, a mídia enlouqueceu. E então todos os jornais caminhavam na mesma direção. Isso não existe. Todo mundo endoidou.
Criou-se um clima muito pesado de patrulhamento, ataques, macarthismo. Os colunistas, de uma maneira quase unânime, entraram nesse clima - até por constrangimento. Aquela posição relativamente diversificada que existia nos jornais, através de seus colunistas, acabou. Os colunistas foram inibidos. Há jornalistas aí, com 40 anos de carreira, que escreveram 365 artigos, um por dia, sobre o mesmo assunto, todo dia pedindo a cabeça do Lula.
Não dá. Criou-se uma guerra santa que é incompatível com o papel da mídia. Isso era para os jornais dos anos 50. Partiu-se para um festival de ficção, de arrogância, de agressividade e falta de civilidade que é veneno puro na veia na imagem dos jornais e das revistas que entraram nessa.

E, mesmo assim, o Lula não caiu...
Porque, no começo dos anos 90, tivemos um fenômeno: começou a surgir a ''banda B'' da opinião pública. As classes D e E começaram a ter voz. É a história dos descamisados - e Collor percebeu muito bem isso. Começa a haver nessas classes um novo campo. À medida que o país vai evoluindo, aquela mediação feita pelos coronéis tende a se diluir. Este foi um primeiro ponto. Quando Lula lança o Bolsa Família - que é um programa muito bem-feito e que tem, sim, contrapartida -, ele pega esse fenômeno, que ganha corpo. O Fernando Henrique, que é sociólogo e tal, por conta de sua postura imperial, não percebeu esse novo cidadão emergente.
Outro ponto é que, na medida em que se criou essa unanimidade na mídia, você descartou públicos: o público engajado, que tem seu pensamento - a favor do Lula e do governo -, e que de repente percebeu que não havia nenhum veículo que fosse justo; e o segundo é um público menor, mas muito influente, que é o público dos formadores de opinião bem informados. Com aquela simplificação com que veio a cobertura, estes setores acabaram se desiludindo com a imprensa. Tudo isso surge num momento em que a internet já tinha massa crítica aí, com os blogs e tudo, para fazer contraponto. E entre os blogs tem de tudo.
Aquela diversidade que os jornais ainda tinham e perderam, o pessoal foi buscar na internet. E uma coisa a gente aprende com os blogs: se houver 20 blogs falando ''A'', basta um blog falando ''B'' de forma consistente, que ele inverte e desmascara. Há a interação entre os blogs e seus leitores. Os blogs emergiram como uma alternativa. E isso culminou com a matéria do Raimundo Pereira na CartaCapital. Em outros momentos, a Carta teria feito a matéria e ninguém falaria nada. Agora a matéria teve um alarido infernal, de tudo quanto é blog discutindo. E o tema não morreu.

A ponto de a Globo ter de se explicar...
É, tentou, tentou, mas não conseguiu responder. (Ali Kamel) é um rapaz inteligente, mas há coisas que, se você não consegue explicar, é melhor não tentar. Se você precisa de mais de uma lauda para explicar, não tente. Ele tentou e ficou chato, porque estava claro que era uma armação do delegado visando a Globo.
E aí se entra em outro aspecto: qual o interesse jornalístico de uma foto? Uma foto de dinheiro é igual a uma foto de dinheiro. Não há informação nisso. Essa foto ainda foi maquiada para dar maior fotogenia. O único interesse era como ela ia repercutir nas eleições, como no caso da Roseana Sarney. A gente sabia que esse dinheiro existia há semanas. O fato de aparecer a foto não tem significado nenhum.
Mas os jornais e TVs queriam dar a imagem para saber o efeito eleitoral da foto. Se o único interesse sobre a foto era esse, é evidente que a parte mais relevante do ponto de vista da notícia era saber como vazou a foto. E não deram isso. Manipularam e protegeram o delegado (Edmilson Bruno Pereira). Isso é um episódio marcante. Um golpe como esse, não temos paralelo em nossa história.
A mídia, cumprindo esse papel, é suicida. Ela não tem como ganhar. Se ela derruba o Lula, ela fica com a pecha de golpista para o resto da vida. Todo problema que surgisse seria imputado à mídia. Ou seja, se ela ganha, ela perde. Se não derruba o Lula - que foi o que aconteceu -, ela mostra que perdeu o poder que ela tinha.

Existe nisso um preconceito de classe?
Houve um claro preconceito de classe. No momento da internacionalização da economia brasileira, o Fernando Henrique passa a se cercar de uma corte que é minoritária em São Paulo, mas que tem muita ressonância. É um pessoal que se julga internacionalista, mas é da ''geração Daslu'' - de um esnobismo altamente provinciano visto por um estrangeiro, mas que aqui dentro pegou muitos setores, inclusive da imprensa. Esse deslumbramento cresceu de uma forma muito ampla nesse período, em cima de um conjunto de colunistas muito próximos ao Fernando Henrique.
O grande pecado do Fernando Henrique, lá atrás, foi quando ele começou a desqualificar as críticas e começou a tratar tudo que não era internacional como caipira e provinciano. Ou seja, criaram-se ali as bases para essa visão entre modernos e anacrônicos. O fator Veja foi fundamental para trazer esse componente. A Veja já vinha num crescendo de grosserias e ataques pessoais, mas, no ano passado, explodiu.

E veio até aquela capa absurda de que o PT emburrece o país...
Quando se entra nesse preconceito monumental, a crítica fica desqualificada. Aquele papel da mídia, de ser mediadora, deixa de existir. E o Lula fez uma coisa de gênio político. Quando começaram os escândalos, ele mandou apurar tudo. Na medida em que o pessoal acusado foi tirado do barco, passou a sensação de que era possível reconstruir o governo Lula sem os barras-pesadas que passaram por seu governo.
Então você tem o Bolsa Família mudando a realidade brasileira, com a incorporação das massas excluídas. O Lula não é salvo pela política do Palocci ou do Banco Central, mas pelo Bolsa Família. E não apenas pelos que são beneficiados - mas também por aqueles que estão de fora e percebem que esse programa vai mudar a história do Brasil. Os jornais não se deram conta disso.
Quando ficou claro que o Lula não ia cair, começaram a falar: ''Ah, mas o eleitor do Lula é nordestino, é analfabeto''. E quem fica com eles (os jornais)? Uma classe média muito paulistana, preconceituosa e anacrônica - porque quem é minimamente sofisticado não entra nesse jogo.
Você pega essa prepotência da Veja - esse negócio de ''eu sou imbatível''. Veja aquele rapaz, o diretor, que entrou um dia e disse: ''Hoje derrubamos o presidente!''.

Quem?
O Eurípedes (Alcântara), né? Acho que foi quando saiu aquela matéria do Palocci. Ele (Eurípedes) é que é o grande responsável por toda essa mudança que teve - essa adjetivação, esse clima todo.
A sensação de poder se dá pelo seguinte: você tem canais de TV, jornais, revistas - todos falando a mesma coisa. Só que, quando abre a cortina, tem um monte de gente espiando atrás da cortina. É um olhando pro outro, é um negócio auto-referenciado. Poucas vozes ousaram investir contra esse clima.

Os jornais apostaram na beligerância entre PSDB e PT?
Essa guerra acabou. Os jornais, com amadorismo, achavam que esse clima duraria até a queda do Lula. No dia seguinte às eleições, saem de cena Fernando Henrique, (Jorge) Bornhausen, (Tasso) Jereissati e os jornais e revistas que entraram nessa - eles só prosperam em tempos de guerra. As forças para pacificação são mais fortes do que as forças da guerra.
Fernando Henrique é outro que se queimou. Poderia ser um pacificador... Itamar e Sarney deram declarações, como ex-presidentes, com responsabilidade perante o país. E de repente vem o Fernando Henrique e solta a franga de uma maneira que deixa de ser referência.

Por que as irregularidades do governo Alckmin ficaram completamente fora da pauta da grande mídia, ao menos até as eleições?
A gestão dele em São Paulo, do ponto de vista administrativo, foi absolutamente medíocre e nunca foi avaliada. Então você pega a Secretaria de Educação. Numa entrevista, perguntei para ele: ''Governador, qual a sua proposta para as universidades federais?''. Ele respondeu: ''Vamos criar indicadores de acompanhamento''. E por que não criou nas universidades estaduais? ''Ah, porque isso poderia conflitar com o conceito de autonomia universitária''.
Olha o Rodoanel: quatro anos para resolver uma questão ambiental. Isso não existe. Mas, como precisava criar um anti-Lula, jogam o Alckmin como bom gestor - coisa que ele não era. Tem outras virtudes, mas não essa. E aí precisa vir o Lembo e dizer que o estado está vendendo estatal para pagar contas. Imagina se isso fosse com o governo Lula? Aí começa a ficar explícita a perseguição da mídia.

Você acha que Alckmin não tem condições de governar o Brasil?
Não. O Alckmin não tem discernimento. O Serra e o Aécio pegam gente eficiente, se cercam de bons quadros. E o que o Alckmin faz aqui? Na esfera federal, essa falta de discernimento do Alckmin seria complicada - e estamos falando do que ele já fez no estado, não num país. Não tenho informações sobre desonestidade da parte dele. Agora, no que diz respeito à incompetência gerencial, sim.

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Carnage
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#186 Mensagem por Carnage » 31 Out 2006, 10:00

Nosferato, parabéns!!

Excelente texto!

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#187 Mensagem por Polster » 01 Nov 2006, 00:46

Sobre o resultado de domingo, apesar de não ter grandes esperanças ou muitas perspectivas em relação ao governo LULA, alegra-me a derrota do GERALDO que representa o que há de mais conservador, reacionário e ultraneoliberal que existe neste país.

Como muito foi dito por políticos, mídia e eleitores nesta eleição, deixo algumas questões para se pensar...

Ser “inteligente” é acreditar que um eventual governo do PSDB/PFL seria ético? Que lá não existem políticos ligados às velhas oligarquias que sempre estiveram no poder e praticavam atos de corrupção iguais ou maiores que do governo atual?

Ser “bem informado” é ficar indignado com “os maiores casos de corrupção da nossa história” conforme lido/assistido nos jornais e esquecer tudo que ocorreu no passado de nossa nação?

É “correto” aceitar que a “nossa mídia” é imparcial, apartidária e tem compromisso com a verdade como ela mesmo prega?

Ser “ético” é se revoltar com a “pirataria” que causa “danosos prejuízos” ao PIB e ao mesmo não se incomodar com os empresários que sonegam milhões em impostos?

É “burrice” não concordar que o país precisa das reformas trabalhista e previdenciária e, com isso, possa voltar à época da Revolução Industrial com jornadas de trabalho de 16 horas diárias e acabando com os direitos trabalhistas como: férias, folga remunerada, FGTS, aposentadoria digna, etc..., para que possamos aumentar, assim, o lucro do “nosso empresariado”?

São “ignorantes” os miseráveis famintos que não combatem as práticas populistas do governo, pois não recusam as ajudas assistencialistas que recebem?

Desculpem a ironia usada no texto..........mas este tipo de dualismo simplista, tão usado nesta eleição, como inteligente ou burro, bem ou mal, certo ou errado, utilizados para manipular pessoas ou defender interesses próprios é insuportável.

Bom, como as eleições terminaram e a oposição lacerdista parece ter recuado na sua idéia de “terceiro turno” este deve ser meu derradeiro comentário sobre o tema.

No fim, o mais importante deste debate são as opiniões diferentes sobre o assunto, afinal: SE TODO MUNDO PENSA IGUAL NINGUÉM ESTÁ PENSANDO.

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Carnage
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#188 Mensagem por Carnage » 01 Nov 2006, 09:19

LULA E OS MENINOS DA GLOBO
Paulo Henrique Amorim

Petista que gosta de musica clássica – Você precisava ver o que eu andei ouvindo lá dentro... o que eles falam dos meninos...
PHA – Que meninos ?
Petista que gosta de musica clássica – Os filhos do Roberto Marinho.
PHA – E o que eles falam ?
Petista que gosta de musica clássica – Que dessa vez vai ser diferente. O Lula está uma fera.
PHA – Que nada. O Lula não bate na Globo.
Petista que gosta de musica clássica – Dessa vez, não sei, não.
PHA – Vamos ver.
Petista que gosta de musica clássica – Eles sempre acharam que podiam fazer o que bem entendessem, que, na hora “agá”, todo mundo tinha que ir lá beijar a mão deles.

E lá fomos nós, ontem, sábado 28, eu e o petista que gosta de musica clássica assistir ao deslumbrante concerto de música policoral com o coro da Osesp sob a regência (divina) de Naomi Munakata.
(Na minha modestíssima opinião, a Sala São Paulo e a Osesp são as melhores obras do Governo Mário Covas. O perigo é Fernando Henrique Cardoso, agora presidente do Conselho da Fundação Osesp, se “apropriar” dela.)
Pano rápido.
Como disse o professor Wanderley Guilherme dos Santos, em nenhuma outra democracia séria do mundo a imprensa tem a importância que tem no Brasil.
A imprensa, aqui, diz o professor Wanderley, tem o poder de gerar crises.

Acrescento eu, ao professor Wanderley: em nenhuma democracia séria do mundo existe uma rede de televisão com o poder da Globo – que levou a eleição para o segundo turno.
Desde que acabaram os anos militares, o único presidente – que eu saiba – que esboçou enfrentar a Globo foi Fernando Collor, que sonhou em transformar a rede regional dos Martinez, no Paraná, numa rede nacional.
Caiu antes.
O sonho dos Sirotsky, da RBS, no Rio Grande do Sul, nascia com um teto baixo: não podiam sair da zona geográfica demarcada pela Globo, para não perder a novela das 8.
Se vencer, o Governo Lula tem a obrigação de enfrentar o problema da mídia – e da Globo.
Não é um problema do Presidente Lula. Não é uma questão pessoal, entre ele e “os meninos”.
É uma questão institucional.
A democracia brasileira será sempre uma democracia mitigada enquanto a mídia tiver esse poder de gerar crises e a Globo, o de intervir no processo eleitoral.
Não se pode esperar muito de uma eventual auto-crítica; ou de uma epifania, em que os donos das empresas jornalísticas e seus funcionários vejam a luz: que imprensa é essa que se faz, no Brasil ?
Fui votar hoje de manhã e antes de entrar na escola em que ficava minha seção, uma banca de jornal atravancava o caminho, com a manchete do jornal O Estado de S. Paulo: “Lula chega ao 2º. turno (grande novidade !!!) com 21 milhões de votos à frente”.
Ao lado, a manchete da Folha de S. Paulo, igualmente gorda e larga: “Pesquisa indica vitória de Lula para presidente hoje” (hoje ???).
Em que democracia do mundo se veria isso ?
A ultima vez em que, nos Estados Unidos, um jornal de grande circulação deu uma manchete dessas foi quando disse que Dewey ia ser eleito. Venceu Truman.
A imprensa brasileira é o que é.
Com essa imprensa, o Governo Lula – se ele for reeleito, como dizem o Estadão e a Folha – terá que encontrar mecanismos novos para fazer a democracia funcionar melhor.
Uma idéia seria desenvolver a comunicação através da internet. (Clique aqui para ler o artigo “Como governar quando TODA a imprensa é contra”).
Outra possibilidade que se abre é com a convergência digital e o re-nascimento da indústria da tevê por assinatura no Brasil, depois da entrada das empresas de telefonia (clique aqui para ler sobre a compra da TVA da Abril pela Telefônica).
Como sabe, até agora, a tevê por assinatura no Brasil não foi para a frente (a Abril nunca entrou nesse jogo), porque não interessava à Globo criar uma alternativa à Rede Globo, a da tevê comercial, aberta.
A Globo entrou na tevê por assinatura para impedir que a tevê por assinatura prosperasse. (Só no Brasil ...)
Está na agenda da Ministra Dilma Rousseff (se de fato as pesquisas se confirmarem) re-institucionalizar a industria da comunicação no Brasil.
A legislação brasileira é um saco de gatos, exatamente porque é o que melhor serviu à Globo até agora.
Vamos ver se, dessa vez, o Presidente Lula tem uma conversinha com “os meninos”.
Se as pesquisas se confirmarem ...

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Carnage
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#189 Mensagem por Carnage » 01 Nov 2006, 09:21

Do blog do cartunista mineiro RICO:
VEJA e a Charge não autorizada.

©Santiago/2006
Recebi o e-mail abaixo do cartunista gaúcho Santiago:
"Dois dias antes da eleição (segundo turno) recebi um telefonema de um funcionário da redação da revista "Veja" pedindo autorização para usar este desenho. Respondi que não autorizava pois não concordava com a linha editorial da revista. Repeti que não gostaria de ver trabalho meu nesse momento histórico nas páginas dessa publicação.
Pois no sábado fui à banca, abri a revista e lá estava a minha charge publicada na página de apresentação da edição.
Mais do que usar um trabalho sem autorização "Veja" usou um trabalho que havia sido verbalmente DESAUTORIZADO pelo autor. Um belo exemplo da arrogância da grande imprensa.
Santiago (desenhista de humor)"
Veja a charge:
http://ricostudio.blogspot.com/2006/10/ ... izada.html

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brucutu69
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#190 Mensagem por brucutu69 » 02 Nov 2006, 13:45

Carnage escreveu:Caro marcos

Pode discutir e postar o que quiser e quantas vezes você quiser!

Na época do FHC fecharam e bloquearam um monte de CPIs! E eu não vi ninguém fazendo tanto alarde!!!
Nem o PT fez tanto alarde! E eu só me pergunto o porquê....
Esse bando de pilantras posando de bonzinhos me deixa doente!
Blza!!!
Seu perfil combativo é necessário, as idéias não tem que ser necessariamente aceitas...
Aliás achava que esse tópico ia ficar "paradasso" , no entanto percebi uma riqueza (de contraditórios) muito interessante.
Por incrível que pareça mudou minha forma de ver e analisar os fatos.
Alguns dogmas são demolidos...

Num dos debates menores falaram que no governo FHC tiveram 53 CPIs.
Não estou em condições de dizer se foi bom ou ruim. Precisaria saber quais são e porque
houve alguns e outros não. Não tenho essses dados.
Mas estou certo de uma coisa, a maioria que critica também não tem.
Então a crítica acaba sendo ideológica... Ou por preferência pessoal.

Quanto a achar que tudo bem, continuo achando isso porém de forma geral...
Pelo teor das mensagens, pelo subliminar. Quando se critica a crítica como se merecesse elogios...

Na fase mais aguda da corrupção no México(decada de 80/90), a situação estava tão impregnada que ser honesto passou a ser considerado coletivamente pela Nação como IDIOTA. Havia uma conivencia inacreditável. Durante anos, apesar da proximidade de um mercado como o Americano, estavam numa recessão incrível e consequentemente uma nação empobrecida.

No governo FHC, também acredito que tenha havido "compra" de votos em algumas votações.
Mas nada do que eu diga vai fazer mudar o rumo daquelas votações.
Não posso fazer nada sobre o ONTEM.
Posso fazer algo pelo HOJE e pelo AMANHÃ.
O FHC não está no governo HOJE nem estará pelos próximos anos...
Se não podemos acabar, seria interessante conseguir INIBIR...

Quanto as criticas ao Geraldo:

1) Todo cara muito sério é chato. Voce olha a cara do Bill Gates e acha que é um bundão...
O Geraldo não é um cara para convidar para jogar truco e fazer churrasco. O Lula é bacaninha, contador de histórias, sedutor... Os churrascos que o assessor dele faz devem ser muito divertido. Como sindicalista é exímio em seduzir platéias, falar o que o povo quer ouvir, usar frases de efeito, sejam verdadeiros ou não. Aliás a maioria das histórias sedutoras e interesantes que são contadas, são mais interessantes quando misturam fantasia e realidade e são "exageradas", enaltecidas, mitificadas...

2) Em nenhum momento colocaram nada na propaganda contra ele quanto a questão ética. Não acharam!!! Aliás colocaram sobre o emprego da filha, e depois tiraram.
Acho que isso diz muito, com toda a máquina a favor, se houvesse teriam colocado...

3) Com o Lula com chances de vencer, governadores da oposição ficaram meio na neutralidade, com críticas veladas. Aliás acuso que as grandes críticas vieram quando a situação estava irreversível. Com as pesquisas indicando reeleição vieram alguma veemência, uma veemência não muito sincera. Em suma o Geraldo ficou sozinho.

Quanto a alarde:

1) Quem primeiro pediu o IMPECHMENT do Color sabe quem foi?

Isso mesmo, Lula e equipe!!! E por muito menos todos hão de concordar...
Quando o Presidente dos partidos de oposição estavam pedindo, a molecada já estava com rosto pintado. O Ulisses apenas pegou carona e se áproveitou. Assim como nas diretas já que também começou com o PT apesar da fama ficar com o PMDB...

2) Quem primeiro pediu o IMPECHMENT do FHC sabe quem foi?

Isso mesmo, Lulla e equipe!!!

3) E quando alguém mencionou essa possibilidade para o Lula?

GOLPE!!! GOLPE!!! GOLPE!!!
Pois é!!!

POS ELEITORAL:

1) Percebi uma "Campanha" massiva na mídia do governo para apagar o mensalão.
Há um discurso coletivo para apagar... Falam como se nunca houvesse existido...
Se não houver nenhuma punição como parece que vai ocorrer vou lamentar muito.
SIGNIFICA QUE APESAR DO DISCURSO ELEITORAL ANTAGONICO, O LIXO VAI PARA DEBAIXO DO TAPETE...

2) Estou percebendo pelo lado do PSDB uma amansamento do discurso. Seria muito triste se tivessemos somente a oposição pelo PFL entre os grandes partidos.
A oposição, agradável ou não, é necessária.

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Roman Barak
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#191 Mensagem por Roman Barak » 03 Nov 2006, 00:54

Ainda não estou com a cachola muito boa por conta de uns acontecimentos de ordem pessoal, mas vou tentar uns comentários aqui:

1. No primeiro turno, votei no Plínio de Arruda Sampaio para governar São Paulo. Não porque achasse que ele teria alguma chance de ganhar, mas para dar-lhe um voto de confiança e para que o meu voto, somado ao de outros, servisse de incentivo para que ele continuasse na política. Figuras como a dele são necessárias na política, assim como Pedro Simon, Cristóvão Buarque e José Eduardo Cardoso, apesar de este último não ter tido coragem de botar o pinto na mesa perante a direção do seu partido, o PT. Sem políticos como esses, o caos tomaria conta da vida social do País e perderíamos a sanidade. São Paulo irá se manter nessa mesma merda com Serra governando. Os "sanguessugas" começaram a operar quando ele era ministro da saúde, ainda que a imprensa não faça alarde sobre isso, assim como os "vampiros" (desvio de derivandos de sangue dos hospitais públicos). Dentre os varios projetos secretos de Serra está a privatização da NossaCaixa. Que malefício isso irá causar? não sei, mas também não vejo benefício nenhum, só sei que os funcionários públicos do estado estão sendo obrigados a abrirem contas correntes na NossaCaixa de modo a engordar o capital e tornar a instituição mais atrativa aos compradores. Pessoas dignas na política podem nao fazer grande diferença nas votações, mas causam um grande impacto a médio e longo prazo na medida em que nos proporcionam paz de espírito e consciência.

2. Quando falei da polícia federal, não quis fazer apologia, mas apenas uma constatação das mudanças que percebi nos últimos anos do que conhecia antes dessa instituição, que era realmente vergonhosa. No mais, em qualquer profissão, poucos são os médicos, engenheiros, advogados, juízes, policiais, jogadores de futebol, apresentadores de tv e jornalistas que merecem o meu respeito. Em qualquer área vejo sempre uma cesta cheia de frutas podres e umas poucas comestíveis.

3. No primeiro turno, votei em Cristóvão Buarque para a presidência, pelas razões já expostas. No segundo turno, anulei o voto porque não acreditei no "projeto político" do Alckmin e porque o Lula não tinha outro projeto político senão o "poder pelo poder". Mas espero sinceramente que o Lula encontre um projeto político e me convença, daqui a 4 anos, que ele não é esse cara sem conteúdo e de natureza messiânica que hoje me parece ser. Espero que ele tenha aprendido que a sua reeleição não foi um cheque em branco da população, mas apenas a constatação de que a oposição não oferecia algo melhor, e que que aprenda com os erros cometidos no 1º mandato.

4. Fico contente pelo fim histórico de Alckmin, uma farsa que nem o PSDB enganou (FHC e Serra evitaram queimar o filme aparecendo ao lado do Geraldo). No "Estadão" de domingo saiu uma matéria sobre os erros da sua candidatura e as razões pelas quais ela estava fadada ao fracasso. Se alguém puder reproduzir essa reportagem aqui, agradeço, porque é uma aula de eleições. Agora só falta cair a máscara do Aécio Neves. Minas gerais, a meu ver, é o estado onde a desigualdade social é mais latente. É um estado riquíssimo (segunda ou terceira economia do país) e as cidadezinhas do interior são miseráveis, caatingueiras. Me desculpem os mineiros pela sinceridade, mas Belo Horizonte à noite é mais perigosa do que São Paulo, ainda que os jornais locais escondam esse fato, coisa que os jornais do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná também fazem. Em termos de sinceridade a respeito da criminalidade, os jornais paulistas e cariocas são mais confiáveis. Também fico contente que o PFL tenha afundado tanto. De nada valeu a sua conduta vampirística, traiçoeira, oportunística e pragmática. O povo relegou o PFL ao limbo, que é muito mais do que merecido para um partido que tem como lideranças o coronel ACM, miserável sustentáculo do continuísmo nordestino, e Bornhausen, nazista desgraçado que, não contente em ser dono de Santa Catarina, quer impor seus métodos de Gestapo e SS ao resto do País.

5. A "Veja" é mesmo um antro de picaretas e que nela acredita, está fadado a não enteder nunca o que se passa ao seu redor. Há uma confusão muito grande entre imprensa livre e licença para mentir e propagar difamação e calúnia. Além de tudo, não pagaram os diretos autorais do Santiago, o que é crime.

6. Domingo tive mais uma prova do quão estúpida é aquela tese de que, como o povo é ignorante e não sabe votar, o voto deveria ser privilégio de que tivesse curso superior. Recebi em minha casa a desagradável visita de uma vizinha conhecida/amiga da minha mulher, que em dado momento começou a defender o Geraldo Alckmin como condidato mais capacitado para ocupar a presidência, justificando sua posição com o desempenho nos debates na TV (eu não tive saco de assistir a nenhum na íntegra), como administrador (mas não foi com ele que o PCC deitou e rolou?) e traçou um ilógico elo entre os ataques do PCC e as greves do ABC no final dos anos 70, querendo dizer que o PT estava por trás de tudo. Dei um desconto, porque a coitada, uma médica dermatologista, feia, havia sido largada pelo marido há uns anos e até hoje não arrumou nenhum paquera, quando mais namorado, ganhava mal, tendo que se dividir em 3 empregos pra pagar o condomínio e ainda não encontrou um rumo para a vida. Pensando na minha teoria de que "gente que está na merda" quer ver a desgraça dos outros pra poder se igualar, falei discretamente pra minha mulher que "não me agradaria ver a fulana em casa de novo". Minha mulher é estrangeira, portanto não vota e não se envolveu na conversa, percebendo o mal-estar causado pela abestalhada, cortou a conversa com um sorriso perguntando se ela não queria ajudar a servir sorvete e bolo aos demais presentes. Não é por nada, mas gente que não tem a menor vocação pra entender de política deve ficar quieta. Eu, por exemplo, de futebol só entendo de torcer, não sei dizer se um lateral esquerdo é melhor que outro, nem se o fulano jogaria melhor na posição que jogava no seu time anterior. Não me meto a falar disso. Só entendo da emoção do futebol, a parte técnica eu deixo pro Luxemburgo e para o Leão (às vezes para o Chico Lang, hehehe). Se eu estiver com uma unha incravada e o médico me disser que tenho de tomar uma dose de penicilina, não tenho como retrucar, não entendo nada, nada de medicina. Então, cada macaco no seu galho. Ter curso superior pode ajudar o sujeito a ter um maior dissernimento, mas não é garantia nenhuma, muito mais hoje em que cada esquina tem uma faculdade meia-boca.

fortes Abs,
Roman Barak.

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#192 Mensagem por brucutu69 » 05 Nov 2006, 09:18

PESQUISAS ELEITORAIS IBOPE

1) Erros significativos do primeiro turno:

- Governo estadual da Bahia
Candidato eleito no primeiro turno estava classificado em segundo para um segundo turno e bem fora da margem de erro. Venceu no primeiro turno.

- Governo estadual da RS
Candidata classificada em terceiro, terminou em primeiro para o segundo turno fora da margem de erro.

- Senador em SP (Suplicy x Afif)
Candidato eleito tinha diferença exorbitante mas apurou se pequena diferença no final.
Candidato com diferença em torno de 20% quase perde a eleição...
Fica a dúvida se a pesquisa tivesse correta, o resultado da eleição não teria sido diferente? Nunca vamos saber mas pode ser um indutor... Tem muita gente que vota em quem está na frente...

2) Erros significativos do segundo turno:

- Governo estadual da PR
Candidata vencedor ganharia por diferença de seis pontos perceituais (6 %) mas ganhou por apenas 0,1%, portanto bem fora da margem de erro.


http://noticias.terra.com.br/eleicoes20 ... 51,00.html

Ibope aumenta índice de acertos no 2º turno



Neste ano, o Ibope realizou cerca de 350 pesquisas eleitorais em todo o Brasil, entrevistando aproximadamente 570 mil eleitores, no primeiro e no segundo turno das eleições. O instituto foi o único que realizou pesquisas em todos os 27 estados e, nesse segundo turno encerrado com o pleito de domingo, eleva seu índice de acerto para 100%.
Foram realizadas oito pesquisas de boca-de-urna no segundo turno (Brasil, Maranhão, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina), totalizando a realização de 46,2 mil entrevistas em um único dia. Os resultados apontaram corretamente a colocação das 16 candidaturas medidas nesta etapa da eleição. Apenas na eleição do Paraná os candidatos ficaram fora da margem de erro da pesquisa.

"No caso do Paraná, não há pesquisa que consiga captar diferenças tão pequenas como a observada nesta eleição. Os altos índices de votos brancos e nulos (9%) e de abstenção (18%) verificados neste segundo turno podem ter prejudicado os votos do governador reeleito, Roberto Requião", avalia Márcia Cavallari, diretora executiva do Ibope.

Em relação às pesquisas de intenção de voto para presidente, os índices do IBOPE, tanto para a última pesquisa quanto para a boca-de-urna ficaram muito próximos do resultado final.

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Sempre Alerta
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O grande partido de direita

#193 Mensagem por Sempre Alerta » 07 Nov 2006, 17:36

O grande partido da direita

por José Arbex Jr.

A imprensa é o mais sério e conseqüente partido da burguesia. Se a genial constatação feita por Antonio Gramsci tem validade universal, no Brasil ela assume contornos bem mais dramáticos e radicais, por uma razão muito simples nada há, no país, que limite a capacidade de ação dos donos da mídia. Basta o seguinte exemplo para demonstrá-lo, por efeito de contraste. Nos Estados Unidos, país sede do capitalismo, é proibida a propriedade cruzada dos meios de comunicação. Isso significa que um mesmo empresário ou grupo não pode exercer, simultaneamente, em dada região, o controle de mais de um veículo. Em outros termos se um sujeito é dono da emissora de televisão, não pode, ao mesmo tempo, possuir outra de rádio e nem um jornal impresso naquele local. Imagine o que aconteceria se alguém propusesse lei semelhante no Brasil. Seria imediatamente tachado de “ditador”, “censor”, “comunista”. No Brasil, os coronéis da mídia imperam, e não toleram qualquer freio, qualquer restrição ao seu poder de mando – exatamente, e não por acaso, como os proprietários do latifúndio.
O sistema de concessão do uso das ondas é simplesmente ridículo. Cada emissora pode explorar determinada freqüência por quinze anos, prazo automaticamente renovado, a menos que uma maioria absoluta (dois terços do Congresso Nacional) resolva cassar a permissão. Ora, não é necessário ser um gênio para saber que é praticamente impossível reunir um número tão grande de congressistas dispostos a desafiar o poder das emissoras, até porque um bom número deles é associado, direta ou indiretamente, às corporações da mídia. Valem, enfim, para a política de concessões as mesmas relações de trocas, favores, clientelismo e corrupção aplicados aos jogos políticos tradicionalmente praticados pelas elites em todos os setores da vida. Também vale a regra de repressão aos que desafiam o esquema a Polícia Federal é extremamente eficiente quando se trata de fechar as rádios comunitárias, a duras penas montadas por gente decente e honesta que vive nas periferias da economia.
Nada há de realmente estranho nisso, dada a estrutura de casa-grande e senzala que ainda caracteriza a formação social do país. Desde sempre na história brasileira, o jornalismo impresso destina-se aos pouquíssimos cidadãos capazes de ler um jornal e dele extrair algum sentido (no total, as vendas de jornais diários e revistas semanais mal atingem os 7 milhões de exemplares, para uma população de 180 milhões). As emissoras de televisão, principal meio de informação e entretenimento de uma população sem acesso a uma educação minimamente decente, manipulam com total desenvoltura o imaginário nacional. A Rede Globo, corporação emblemática da mídia brasileira, o veículo que mais completamente realizou a vocação do jornalismo desejado pelos patrões, foi criada mediante um acordo do empresário Roberto Marinho com a ditadura militar, em 1965, para ser o porta-voz oficioso do regime. As imagens da Globo construíram um Brasil imaginário que, por meio das antenas da Embratel, sedimentou, de norte a sul, uma certa forma de perceber o país. O Brasil passou a se enxergar por meio do espelho forjado por Roberto Marinho.
Garrastazu Médici, a pior face da ditadura, costumava dizer que ficava feliz ao assistir ao Jornal Nacional da Globo, pois, se no mundo inteiro havia “confusão” e “subversão”, no noticiário referente ao Brasil reinava a paz (faltou completar a dos cemitérios). Em 1970, enquanto os cárceres de Médici estavam abarrotados de presos políticos submetidos a torturas e assassinatos, a Globo transmitia grande festa do tricampeonato para todo o país, embalada pelo hino “90 milhões em ação”. Em outras inúmeras ocasiões posteriores, a Globo lançou mão de seu tremendo poder para interferir nos rumos da vida política nacional, como na famosa edição do debate entre os então candidatos à presidência do Brasil, Lula e Collor, em 1989, ou três anos depois, na produção da minissérie Anos Rebeldes, que estimulou o movimento dos cara-pintadas, pela deposição do mesmo Collor.
Não que a Globo seja pior ou mais maldosa do que os outros veículos patronais. Ela só é mais poderosa e competente. Os últimos meses oferecem caudalosos exemplos do antijornalismo praticado por todos os grandes meios de comunicação, com a suposta “cobertura” do escândalo do mensalão. Não houve uma cobertura propriamente dita, mas sim uma campanha sistemática de desmoralização da esquerda brasileira. Em total desobediência ao que dizem os seus próprios manuais de redação, os maiores jornais e revistas do país passaram a reverberar em manchetes quaisquer denúncias, mesmo sem provas, contra o governo Lula e o PT, feitas por qualquer um, mesmo por políticos de passado tão pouco recomendável, como o ex-deputado Roberto Jefferson. Não se trata, obviamente, de defender Lula e o PT, mas sim de constatar o óbvio. A mídia patronal orientou os trabalhos das comissões parlamentares formadas para investigar os supostos esquemas, “blindou” o próprio Lula e os ministros da área econômica, minimizou o impacto do envolvimento tucano (o “caso Azeredo”), tornou-se, em resumo, parte ativa do processo que deveria noticiar com isenção e objetividade.
Abundam quase ao infinito os exemplos diários de partidarismo, de total adesão da mídia patronal à ideologia neoliberal e ao que existe de mais podre, reacionário e atrasado no mundo do uso de certos termos meticulosamente escolhidos para desqualificar os inimigos (como “invasão” de terra promovida pela MST, ou o “terrorismo” praticado por resistentes no Iraque e na Palestina) à cumplicidade criminosa para com os aliados (enquanto Osama bin Laden é sempre caracterizado como fundamentalista terrorista islâmico, George Bush jamais é descrito como fundamentalista terrorista protestante, ou nem sequer como mentiroso, corrupto e fraudador de urnas). Racismo, preconceito, individualismo, cinismo o mundo diariamente construído e vendido pelos patrões é um festival permanente de horrores, projetado por profissionais em geral competentes que, em troca de trinta moedas ou por convicção ideológica – não importam os motivos –, usam rótulos e dados estatísticos para tornar o ser humano invisível.
Felizmente, a mídia dos patrões pode muito, mas não pode tudo. A Venezuela de Hugo Chávez oferece um magnífico exemplo disso. No dia 11 de abril de 2002, toda a mídia venezuelana – absolutamente toda, sem exceção – informava que Chávez havia renunciado. Menos de 72 horas depois, apesar de toda a desinformação, de todas as mentiras, de todas as fábulas e orquestrações midiáticas, o presidente voltava triunfante, saudado por uma multidão de mais de 1 milhão de pessoas concentradas nas principais vias de Caracas. O “segredo” está no fato de que o povo venezuelano estava organizado pela base, e assim pôde resistir. O caminho está apontado. Resta seguir.

José Arbex Jr. é jornalista, autor de Showrnalismo e O Jornalismo Canalha, Editora Casa Amarela

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#194 Mensagem por Kunta-Kin-The » 30 Out 2010, 18:18

[ external image ]
Desculpem-me intrometer mas não seria o caso de trancarem/passarem um cadeado neste tópico aqui e abrir um com o título Eleições 2010 - Comentários pós 2º TURNO. :D

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Hammermart
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#195 Mensagem por Hammermart » 30 Out 2010, 20:03

Kunta-Kin-The escreveu:[ external image ]
Desculpem-me intrometer mas não seria o caso de trancarem/passarem um cadeado neste tópico aqui e abrir um com o título Eleições 2010 - Comentários pós 2º TURNO. :D
Seria mais o caso de passarem o cadeado no Sempre Alerta, Tiozinho50 e Carnage... poluidores de tópico com artigos imensos que ninguém lê... :lol: :lol: :lol:

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